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Ministério da Ciência e Tecnologia

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Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. - Nuclep

Nuclep retoma atividades no País na esteira de Angra 3

31/03/2008 Gazeta Mercantil

Criada em 1975 com o acordo nuclear Brasil-Alemanha, a Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep) renasce lentamente das cinzas, na esteira do novo boom vivido pelo setor nuclear no mundo.

Rio, 31 de Março de 2008 - Criada em 1975 com o acordo nuclear Brasil-Alemanha, a Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep) renasce lentamente das cinzas, na esteira do novo boom vivido pelo setor nuclear no mundo. Além de já ter iniciado em caráter informal a modelagem de três equipamentos que serão construídos para a central termonuclear Angra 3, a empresa recebeu consultas da gigante francesa Areva, via ministério de Minas e Energia, para uma parceria que poderá render uma fatia dos US$ 100 bilhões de contratos previstos pelo setor, até 2030, no mundo.

Hoje, a empresa inicia o transporte do primeiro dos dois geradores de vapor construídos para a usina Angra 1, a primeira central termonuclear do País. Encomendados pela Areva para substituir o equipamento obsoleto da década de 70, os dois geradores demandaram investimento de R$ 569 milhões. Com 340 toneladas e 21 metros de comprimento, os equipamentos representam, para o ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende, a retomada do programa nuclear brasileiro.

Também na mira da estatal desde 2003, a indústria naval renderá resultados a partir deste ano. A empresa recebeu neste mês a encomenda do casco da plataforma P-56, que será construída para a Petrobras nos mesmos moldes da P-51, a primeira plataforma semisubmersível inteiramente erguida no Brasil. O casco, de acordo com cálculos da própria Nuclep, representa o equivalente a 10% do custo total da plataforma, avaliada em cerca de US$ 1 bilhão.

Diretor Industrial da Nuclep, Adolfo de Aguiar Braide, revela que tantas encomendas também demandarão investimentos na modernização e expansão da capacidade da empresa. A expectativa, de acordo com o executivo, é que sejam necessários desembolsos de até R$ 30 milhões nos próximos anos. Devido ao longo período de inatividade - por causa da paralisação do programa nuclear brasileiro -, boa parte dos equipamentos da década de 70 terá que ser substituído por uma nova geração de peças.

Se os contratos previstos para os próximos anos saírem efetivamente do papel, uma parcela dos recursos para a modernização poderá sair do próprio caixa da companhia. Como alternativa, Braide admite recorrer ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou qualquer outra fonte disponível no mercado.

Com relação à Angra 3, a menina-dos-olhos da Eletronuclear, o chefe de gabinete da presidência da estatal, Leonam Guimarães, revela a expectativa de iniciar as obras da usina em julho. Para isso, no entanto, aguarda a concessão da licença prévia do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Vilão de nove entre 10 empresários do setor elétrico, o órgão ambiental federal não constitui, dessa vez, obstáculo para o projeto. A licença, justifica Guimarães, só não foi concedida devido a uma série de exigências do Ministério Público e de organizações não-governamentais (ONGs) da área ambiental.

Na última sexta-feira, a Eletronuclear promoveu uma audiência pública sobre Angra 3 no município de Ubatuba (SP), exigida na Justiça por uma dessas ONGs. Considerada manobra protelatória por Guimarães, a exigência foi feita depois da realização de outras três audiências, promovidas pela Eletronuclear nos municípios de Angra dos Reis (RJ), Paraty (RJ) e Rio Claro (SP), em julho e no fim do ano passado.

"O Ibama só pode conceder a licença depois da realização dessas audiências", justifica Guimarães. "Internamente, o órgão já acelerou todo o processo. A culpa pela demora não é do Ibama, mas dessas exigências." Paralelamente às audiências públicas, as diretorias da Eletronuclear e da Nuclep já trabalham na modelagem de três contratos de equipamentos para o empreendimento. Braide, da Nuclep, revela que, além de três condensadores de vapor, os contratos envolvem seis acumuladores e uma estante para o combustível nuclear. Além de aspectos técnicos, os entendimentos também visam a atuali

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